Curso de Inglês para Negócios: Guia Completo para Escolher Bem
Quem procura um curso de inglês para negócios normalmente já passou da fase de "um dia eu aprendo". Tem uma reunião com a matriz marcada para o mês que vem, uma vaga que pede "inglês avançado" na descrição, um cliente estrangeiro que só responde por e-mail em inglês, ou um chefe que avisou que a próxima promoção depende disso. O prazo é real, o dinheiro também, e errar a escolha do curso custa os dois.
O problema é que quase todo curso de inglês hoje se vende como "para negócios". A mesma escola que ensina o verbo to be para adolescentes coloca uma foto de gente de terno no anúncio e chama a turma de "Business". Por fora, os produtos parecem iguais; por dentro, alguns são inglês geral com outro nome, e outros realmente treinam você para as situações que o trabalho exige.
A diferença está em detalhes que ninguém mostra na página de vendas: se existe uma análise das suas tarefas reais antes da primeira aula, quanto tempo você efetivamente fala por semana, se o material usa e-mails e reuniões do seu setor ou textos genéricos sobre "a empresa XYZ", e como o progresso é medido.
Neste guia, você vai entender o que um curso de inglês para negócios precisa ensinar, qual nível mínimo faz sentido para começar, quais formatos existem e para quem cada um serve, como avaliar uma escola antes de assinar, como pedir para a empresa pagar e como montar um plano de 12 semanas, com ou sem professor.
Tem um roteiro de análise de necessidades para você preencher, um checklist de sinais de alerta, um modelo de e-mail para pedir o patrocínio da empresa, uma tabela de prioridades por área de atuação e dois exercícios com gabarito.
Curso de inglês para negócios: resposta rápida
Um curso de inglês para negócios treina o idioma nas tarefas que o trabalho exige: reuniões, e-mails, apresentações, negociações e ligações. Ele funciona melhor a partir do nível intermediário (B1), deve começar com uma análise das suas necessidades reais e precisa garantir muito tempo de fala sobre situações do seu setor.
| Pergunta | Resposta curta |
|---|---|
| Quando começar? | A partir do B1. Abaixo disso, foque primeiro no inglês geral. |
| Qual formato rende mais? | Aulas particulares ou grupos de até 4 pessoas com o mesmo objetivo. |
| Quanto tempo leva? | Ganho perceptível em 10 a 12 semanas com 3 a 4 horas semanais; subir um nível CEFR costuma levar de 150 a 200 horas. |
| O que exigir da escola? | Análise de necessidades, material do seu setor, metas mensuráveis e aula experimental. |
| Precisa de certificado? | Só se uma vaga, empresa ou processo seletivo pedir. Para o dia a dia, o desempenho real vale mais. |
O resto deste guia detalha cada uma dessas respostas, com ferramentas para você decidir sem depender do discurso de vendas da escola.
O que muda em relação ao inglês geral
A gramática é a mesma. O passado simples de um e-mail para o cliente é o mesmo passado simples de uma conversa sobre as férias. O que muda é o recorte: quais situações você treina, quais palavras aparecem com mais frequência e qual nível de formalidade é esperado.
No inglês geral, o aluno aprende a falar sobre a família, a rotina, o fim de semana, comida e viagens. No inglês de negócios, essas conversas continuam existindo (elas são o small talk antes da reunião), mas o centro do curso passa a ser o que acontece depois: apresentar números, discordar sem criar atrito, cobrar um prazo, explicar um atraso, fechar um acordo.
| Aspecto | Inglês geral | Inglês para negócios |
|---|---|---|
| Objetivo da aula | Comunicar-se no cotidiano | Executar uma tarefa de trabalho em inglês |
| Material | Livro didático com temas variados | E-mails, relatórios, apresentações e casos do setor do aluno |
| Avaliação | Provas de gramática e vocabulário | Simulações: reunião, ligação, apresentação, e-mail redigido |
| Registro | Neutro ou informal | Do semiformal ao formal, com atenção à diplomacia |
| Vocabulário central | Rotina, lazer, família | Prazos, orçamento, métricas, contratos, processos |
| Ritmo | Segue o livro, unidade por unidade | Segue a agenda do aluno: se a reunião é na quinta, a aula de terça prepara a reunião |
A habilidade que quase ninguém nomeia: diplomacia linguística
A maior diferença não está nas palavras, está no tom. Em português, um brasileiro sabe suavizar uma crítica sem pensar. Em inglês, a mesma pessoa costuma soar seca, porque só domina a forma direta da frase. Compare:
Your report is wrong.
Seu relatório está errado.
I think there might be an issue with a couple of figures in the report.
Acho que pode haver um problema com alguns números do relatório.
As duas frases dizem a mesma coisa. Só a segunda preserva a relação com o colega. Um bom curso de negócios gasta tempo justamente nisso: verbos modais (might, could, would), expressões de suavização (a bit, slightly, a couple of) e perguntas no lugar de ordens.
Could we push the deadline to Friday?
Será que conseguimos passar o prazo para sexta?
Would it be possible to get the figures by end of day?
Seria possível receber os números até o fim do dia?
Se a escola não sabe explicar como trabalha esse aspecto, ela provavelmente está vendendo inglês geral com um rótulo novo.
Para quem o curso faz sentido (e para quem ainda não)
Um curso de inglês para negócios é um investimento específico. Ele rende muito para algumas pessoas e quase nada para outras, e a diferença raramente é a dedicação do aluno. É o momento em que ele está.
Faz sentido se você...
- Já consegue manter uma conversa simples em inglês, mesmo com erros, e quer usar o idioma no trabalho.
- Tem situações concretas no horizonte: reuniões com outra filial, clientes estrangeiros, viagens a trabalho, entrevista para vaga internacional.
- Lê e-mails em inglês com tranquilidade, mas demora muito para escrever os seus ou trava ao responder por telefone.
- Foi promovido ou mudou de área e agora o inglês saiu do "desejável" e virou parte do cargo.
- Está se preparando para uma transferência para outro país ou para trabalhar remotamente para uma empresa de fora.
Ainda não é a hora se você...
- Não consegue se apresentar em inglês nem dizer o que faz no trabalho. Nesse caso, o curso de negócios vai parecer um muro de palavras soltas.
- Não tem nenhuma situação de trabalho em inglês prevista e quer "aprender inglês em geral". O inglês geral é mais barato e mais adequado.
- Precisa de um certificado com pontuação mínima em poucas semanas. Aí o foco deveria ser a preparação para a prova específica.
Quem está no segundo grupo não está fora do jogo. O caminho só começa um passo antes. Um curso de inglês para iniciantes bem feito, de quatro a oito meses, leva a pessoa ao ponto em que o inglês de negócios passa a render. Pular essa etapa costuma sair mais caro, porque o aluno paga por um curso avançado e passa metade das aulas revisando o básico.
O caso intermediário: você precisa para ontem, mas está no básico
Acontece muito: a pessoa é contratada ou promovida e descobre que vai participar de reuniões em inglês daqui a dois meses, com um nível A2. Nesse cenário, a solução não é um curso de negócios completo, e sim um treino de sobrevivência com três frentes:
- Compreensão primeiro. Entender o que está sendo dito na reunião é mais urgente do que falar bem. Ouça gravações de reuniões da própria empresa, se houver, ou vídeos de apresentações do seu setor.
- Um roteiro de frases curtas. Vinte frases bem ensaiadas resolvem a maioria das participações: pedir para repetir, confirmar um prazo, dizer que vai verificar e responder por e-mail.
- Escrita com apoio. E-mails podem ser revisados com calma, com dicionário e ferramentas de correção. É o canal onde o iniciante consegue parecer mais preparado do que está.
Enquanto isso, o inglês geral continua em paralelo. O curso de negócios propriamente dito entra quando o B1 estiver consolidado.
Nível mínimo para começar um curso de inglês para negócios
A referência mais usada para falar de nível é o Quadro Europeu Comum de Referência, o CEFR, que vai do A1 (iniciante) ao C2 (proficiente). Se você ainda não conhece a escala, vale ler o guia sobre os níveis de inglês do CEFR antes de seguir.
Para inglês de negócios, o nível define não só "se dá para fazer", mas o que dá para treinar. Uma turma de B1 e uma de C1 podem ter o mesmo nome no catálogo da escola e trabalhar coisas completamente diferentes.
| Nível | O que você já faz | O que o curso de negócios consegue treinar |
|---|---|---|
| A2 | Frases simples sobre rotina e trabalho | Pouco. Melhor investir no inglês geral e em um kit de frases de sobrevivência. |
| B1 | Conversa sobre temas conhecidos, com pausas e erros | E-mails padrão, apresentações curtas e preparadas, participação básica em reuniões, ligações simples |
| B2 | Discute temas do trabalho com certa fluência | Negociação, defesa de opinião em reunião, apresentações com perguntas, relatórios |
| C1 | Se expressa com fluência e precisão na maioria das situações | Conduzir reuniões, liderar equipes, persuadir, lidar com conflito, nuances de registro |
| C2 | Domínio próximo ao de um nativo culto | Polimento: retórica, humor, adaptação cultural fina, comunicação com conselho e investidores |
Como descobrir seu nível sem gastar
Antes de conversar com qualquer escola, faça um teste de nível de inglês. Ele não precisa ser perfeito, só precisa dar uma referência para você não depender exclusivamente da avaliação da própria escola, que tem interesse em encaixar você na turma disponível.
Depois do teste, faça três checagens práticas, porque testes online medem bem leitura e gramática, mas medem mal a fala:
- Grave um áudio de dois minutos explicando o que você faz no trabalho. Ouça depois. Você entendeu o que disse? Travou muitas vezes?
- Escreva um e-mail curto pedindo um adiamento de prazo, sem consultar nada. Quanto tempo levou?
- Assista a cinco minutos de uma apresentação corporativa em inglês sem legenda. Quanto você entendeu, de 0 a 10?
Se o áudio saiu com muitas travadas, o e-mail levou mais de 20 minutos e a compreensão ficou abaixo de 5, você provavelmente está entre A2 e B1, mesmo que o teste escrito tenha dado mais. Isso é comum entre brasileiros que leram muito inglês no trabalho e falaram pouco.
O descompasso entre ler e falar
Muitos profissionais de tecnologia, engenharia e finanças leem documentação técnica em inglês há anos. Eles chegam ao curso com leitura de B2 e fala de A2. Um bom curso de negócios identifica esse perfil logo no início e reorganiza a carga horária: menos texto, muito mais conversa. Um curso ruim coloca essa pessoa numa turma B2 e ela passa as aulas calada.
O que um bom curso de inglês para negócios ensina: os oito módulos
Cada escola organiza o programa do seu jeito, mas os bons cursos cobrem os mesmos blocos de competência. Use a lista abaixo para comparar o conteúdo programático das opções que você estiver avaliando. Se faltarem dois ou três módulos sem justificativa, desconfie.
| Módulo | O que você deve sair fazendo | Exemplo de frase treinada |
|---|---|---|
| 1. Apresentação profissional | Explicar seu cargo, sua área e seus projetos em 30 segundos | I head the procurement team for Latin America. Eu lidero o time de compras da América Latina. |
| 2. E-mails e mensagens | Escrever e-mails claros, curtos e com o tom certo | Just a quick follow-up on my previous email. Só um lembrete rápido sobre meu e-mail anterior. |
| 3. Reuniões | Participar, opinar, discordar e resumir decisões | Can I just add something here? Posso só acrescentar uma coisa aqui? |
| 4. Ligações e videochamadas | Lidar com áudio ruim, sotaques e interrupções | Sorry, you broke up a bit. Could you say that again? Desculpe, sua voz cortou. Pode repetir? |
| 5. Apresentações | Estruturar, apresentar dados e responder perguntas | As you can see from this chart, sales picked up in Q3. Como vocês podem ver neste gráfico, as vendas melhoraram no terceiro trimestre. |
| 6. Negociação | Propor, ceder, condicionar e fechar | We could agree to that if you extend the payment terms. Podemos concordar com isso se vocês estenderem o prazo de pagamento. |
| 7. Números e dados | Falar de porcentagens, tendências, valores e datas sem tropeçar | Revenue went up by 12% year on year. A receita subiu 12% em relação ao ano anterior. |
| 8. Cultura corporativa | Entender expectativas de diferentes países sobre pontualidade, hierarquia e franqueza | Let's take this offline. Vamos tratar disso fora da reunião. |
Os módulos que costumam ser esquecidos
Dois desses blocos aparecem pouco nos programas, e justamente por isso fazem tanta falta.
Números e dados. O brasileiro aprende os números em inglês no primeiro mês de curso e nunca mais treina. Aí, numa apresentação, precisa dizer "1,25 milhão" e trava, porque em inglês a vírgula e o ponto trocam de lugar (1.25 million) e o "e" que usamos em português não aparece da mesma forma. Para revisar a base, o guia de números em inglês ajuda. O curso de negócios precisa ir além: porcentagens, frações, trimestres, moedas e verbos de tendência.
| Como se escreve | Como se fala | Tradução |
|---|---|---|
| $1.25M | one point two five million dollars | 1,25 milhão de dólares |
| 3.5% | three point five percent | 3,5% |
| Q3 | the third quarter / Q three | terceiro trimestre |
| 2/3 | two thirds | dois terços |
| FY27 | fiscal year twenty-seven | ano fiscal de 2027 |
Cultura corporativa. Saber a frase certa não basta se você não sabe quando usá-la. Um alemão pode achar estranho o tempo que o brasileiro gasta conversando antes de entrar na pauta. Um britânico pode dizer "That's an interesting idea" querendo dizer que não gostou. Um americano pode esperar que você fale na reunião sem ser chamado. Esse módulo não precisa ser longo, mas precisa existir.
Formatos de curso de inglês para negócios
O formato pesa tanto quanto o conteúdo. Um programa excelente, entregue numa turma de 15 pessoas com níveis diferentes, rende menos do que um programa razoável em aula particular. Veja as opções mais comuns no mercado brasileiro.
| Formato | Como funciona | Ponto forte | Ponto fraco |
|---|---|---|---|
| Aula particular online | Professor dedicado, por videochamada, 2 a 3 vezes por semana | Totalmente personalizado, muito tempo de fala | Custo por hora mais alto; depende muito da qualidade do professor |
| Grupo pequeno online | 3 a 6 alunos de nível parecido, horários fixos | Bom equilíbrio entre custo e prática; você ouve outros sotaques | Conteúdo menos ajustado ao seu setor |
| In company | A empresa contrata a escola e as aulas acontecem no expediente | Material pode usar documentos reais da empresa; costuma ser pago pelo empregador | Turmas com chefes e subordinados juntos inibem a fala; cancelamentos frequentes por reuniões |
| Curso intensivo ou imersão | Dias ou semanas de dedicação quase integral, às vezes no exterior | Destrava rápido a fala; ótimo antes de uma viagem ou transferência | Caro; o ganho some se não houver prática depois |
| Plataforma de autoestudo | Aulas gravadas, exercícios e, às vezes, conversação com IA | Barato, flexível, bom para vocabulário e escrita | Pouca ou nenhuma correção humana da fala |
| Programa executivo | Coaching individual com foco em liderança, apresentações e negociação | Trabalha situações de alto risco com profundidade | Faz sentido só a partir do B2/C1 |
Presencial ou online?
Para inglês de negócios, o online tem uma vantagem que costuma ser subestimada: boa parte das reuniões em inglês que você vai enfrentar acontece por videochamada. Treinar no mesmo meio, com microfone, atraso de conexão e câmera, prepara melhor do que treinar numa sala de aula. O presencial continua valioso para quem precisa de disciplina externa ou para dinâmicas de grupo, mas deixou de ser o padrão.
Combinações que funcionam
Na prática, quem evolui mais rápido costuma combinar dois formatos:
- Particular + autoestudo: as aulas ao vivo ficam para conversa e correção, e o vocabulário e a gramática são feitos sozinho, em casa.
- Grupo + conversação com IA: o grupo dá estrutura e convívio, e a conversação com IA completa a carga de fala que o grupo não consegue oferecer.
- In company + particular pontual: a empresa paga a turma, e você contrata algumas horas extras antes de apresentações importantes.
Se você ainda está decidindo entre aula ao vivo e plataforma, vale ler também a comparação entre os melhores cursos de inglês online, que trata do assunto pelo lado do inglês geral.
Análise de necessidades: faça a sua antes de contratar
Toda escola séria de inglês para negócios começa com uma needs analysis, a análise de necessidades. É uma entrevista ou questionário que levanta o que você faz em inglês, com quem, com que frequência e onde trava. Sem isso, o curso é genérico por definição.
A sugestão aqui é inverter a ordem: faça a sua análise antes de falar com as escolas. Você chega às conversas sabendo o que precisa e consegue perceber rapidamente quem está ouvindo e quem está empurrando um pacote pronto.
Roteiro de análise de necessidades
Responda por escrito, com o máximo de detalhes concretos que conseguir.
- Situações: Em que situações você usa ou vai usar inglês no trabalho? (reuniões, e-mails, ligações, apresentações, viagens, treinamentos, relatórios, chat)
- Frequência: Com que frequência cada uma acontece? Diária, semanal, mensal, rara?
- Interlocutores: Com quem você fala? Nativos, estrangeiros não nativos (indianos, alemães, chineses, mexicanos), clientes, fornecedores, diretoria?
- Risco: Em quais situações um erro de comunicação custa caro? (perder uma venda, um mal-entendido num contrato, uma impressão ruim com a diretoria)
- Ponto de trava: Onde você trava hoje? Entender, responder rápido, encontrar palavras, pronúncia, escrever com o tom certo?
- Prazo: Existe um evento com data? Reunião anual, viagem, entrevista, avaliação de desempenho?
- Tempo disponível: Quantas horas por semana você consegue de verdade, contando semanas ruins?
- Material real: Você pode compartilhar e-mails, apresentações ou documentos (sem informações confidenciais) para serem usados nas aulas?
Transforme as respostas em prioridades
Com as respostas na mão, monte uma matriz simples. Cada situação recebe uma nota de 1 a 3 para frequência e de 1 a 3 para risco. Multiplique as duas. As que derem 6 ou 9 são suas prioridades; as que derem 1 ou 2 podem esperar.
| Situação | Frequência (1-3) | Risco (1-3) | Prioridade |
|---|---|---|---|
| Reunião semanal com a equipe global | 3 | 2 | 6 (alta) |
| Apresentação trimestral de resultados | 1 | 3 | 3 (média) |
| E-mails para fornecedores | 3 | 3 | 9 (máxima) |
| Conversa informal em eventos | 1 | 1 | 1 (baixa) |
O exemplo acima é de um comprador de uma indústria. Para ele, o curso deveria começar por e-mails de negociação com fornecedores, não por small talk nem por apresentações. É exatamente esse tipo de decisão que diferencia um programa feito para você de um programa feito para "profissionais em geral".
Leve a tabela para a conversa com a escola e pergunte: "Como as primeiras dez aulas tratariam essas prioridades?". A qualidade da resposta diz muito.
Como avaliar um curso de inglês para negócios antes de assinar
Com a análise de necessidades pronta, a comparação entre escolas fica objetiva. Estas são as perguntas que valem a pena fazer, em ordem de importância.
- Vocês fazem análise de necessidades antes de definir o programa? A resposta precisa ser sim, com um exemplo de como isso muda as aulas.
- Quanto tempo eu falo por aula? Numa aula particular de 60 minutos, o aluno deveria falar pelo menos 60% do tempo. Em grupo, divida pelo número de alunos e veja se a conta fecha.
- O material usa situações do meu setor? Peça um exemplo de atividade para alguém da sua área.
- Quem são os professores e qual a experiência deles com o mundo corporativo? Não precisa ter sido executivo, mas precisa entender como uma reunião funciona.
- Como o progresso é medido? Prova de gramática não basta. Procure simulações gravadas, avaliações de fala e metas por situação.
- Posso fazer uma aula experimental com o professor que vai me atender? Aula experimental com um professor diferente do que vai ficar com você vale pouco.
- Qual é a política de remarcação? Quem trabalha em empresa tem reunião de última hora. Uma política rígida faz você pagar por aulas que não teve.
- Existe tarefa entre as aulas, e ela é corrigida? Duas horas de aula por semana não bastam sozinhas.
- O contrato tem fidelidade? Prefira pacotes trimestrais ou mensais no começo, até ter certeza de que funciona.
- O professor pode revisar materiais reais meus? Revisar um e-mail ou um slide de verdade antes de enviá-lo é uma das coisas que mais rendem.
Como aproveitar a aula experimental
Não vá à aula experimental para "ver como é". Vá com uma tarefa: leve um e-mail real que você precisa escrever, ou peça para simular os primeiros cinco minutos de uma reunião que você tem na semana. Observe três coisas:
- O professor corrigiu seus erros de forma útil, explicando o porquê, ou só deixou passar para não constranger?
- Ele adaptou a aula ao que você trouxe, ou seguiu o roteiro padrão de aula experimental?
- Você saiu com pelo menos três frases novas que vai usar na semana?
Se a resposta for não para duas dessas três, procure outra opção, por mais convincente que tenha sido a conversa com o consultor de vendas.
Sinais de alerta na hora de escolher
Alguns sinais aparecem já na primeira conversa com a escola e indicam que o curso não vai entregar o que promete. Nenhum deles sozinho é motivo para descartar uma opção, mas três ou mais juntos são.
| Sinal | Por que preocupa |
|---|---|
| Promessa de fluência em prazo fixo ("fluente em 6 meses") | Ninguém sabe seu ponto de partida nem quanto você vai estudar. A promessa é de marketing, não de ensino. |
| Teste de nível de cinco minutos só com múltipla escolha | Não mede a fala, que é justamente o que mais pesa no trabalho. |
| Turma "Business" com alunos de A2 a C1 | A aula fica no meio do caminho e ninguém aproveita bem. |
| Livro didático único para todos, sem material complementar | Indica que não há personalização, por mais que o site diga o contrário. |
| Desconto grande condicionado a contrato anual | Você fica preso antes de saber se o método funciona para você. |
| O consultor não pergunta nada sobre o seu trabalho | Se a venda não se interessa pelas suas necessidades, o curso dificilmente vai se interessar. |
| "Nossos professores são nativos" como único diferencial | Ser nativo não significa saber ensinar nem entender o ambiente corporativo. |
Professor nativo ou brasileiro?
Essa pergunta aparece sempre, e a resposta honesta é: depende do seu nível e do seu objetivo. Um professor brasileiro com inglês avançado e experiência corporativa costuma ser melhor para alunos de B1, porque entende de onde vêm os erros e consegue explicar em português quando necessário. Para quem já está no B2 ou C1 e precisa de naturalidade, um professor nativo ou com muitos anos de vivência no exterior ajuda a polir expressões e entonação.
Mais importante do que a nacionalidade é perguntar: este professor já trabalhou com alunos da minha área? Sabe como funciona uma reunião de orçamento, uma negociação com fornecedor, uma revisão de código? Se sim, a nacionalidade passa a ser detalhe.
Vale lembrar também que boa parte do inglês de negócios hoje acontece entre não nativos: um brasileiro falando com um indiano, um alemão e um mexicano na mesma chamada. Treinar só com o sotaque americano padrão pode deixar você despreparado para essa realidade. Um bom curso expõe você a sotaques variados.
Quanto investir e como calcular o custo real
Os preços de curso de inglês para negócios variam muito no Brasil, e comparar mensalidades diretamente engana. Uma mensalidade mais baixa pode esconder uma turma grande, e uma mais alta pode incluir revisão de materiais, simulações e acompanhamento. A comparação útil é outra: quanto custa cada hora em que você efetivamente fala e é corrigido.
A conta do custo por hora de fala
- Pegue o valor mensal do curso.
- Calcule quantas horas de aula ao vivo você tem no mês.
- Estime quanto dessas horas é fala sua: cerca de 60% em aula particular, cerca de 15% a 20% numa turma de quatro alunos, menos de 10% numa turma grande.
- Divida o valor mensal pelas horas de fala.
Um exemplo com valores hipotéticos, só para mostrar o raciocínio:
| Opção | Mensalidade (exemplo) | Horas de aula/mês | Horas de fala estimadas | Custo por hora de fala |
|---|---|---|---|---|
| Turma grande (12 alunos) | R$ 400 | 8 | 0,6 | cerca de R$ 670 |
| Grupo pequeno (4 alunos) | R$ 600 | 8 | 1,4 | cerca de R$ 430 |
| Aula particular | R$ 1.200 | 8 | 4,8 | cerca de R$ 250 |
Os números são ilustrativos e mudam de escola para escola, mas o padrão costuma se repetir: a opção mais barata por mês frequentemente é a mais cara por resultado. Isso não quer dizer que todo mundo deva fazer aula particular. Quer dizer que, se o seu gargalo é a fala, você precisa olhar para essa métrica.
O que não está na mensalidade
- Material: alguns cursos cobram livro e plataforma à parte.
- Taxa de matrícula e de certificado: pergunte antes.
- Seu tempo: deslocamento até a escola, no presencial, é custo real.
- Aulas perdidas: se a política de remarcação for rígida, some ao custo as aulas que você provavelmente vai perder por conta da agenda.
Onde dá para economizar sem perder resultado
Vocabulário, leitura, gramática e listening rendem bem com estudo autônomo e ferramentas gratuitas. Reserve o dinheiro para o que só uma pessoa ou uma boa simulação consegue fazer: ouvir você falar e corrigir. Uma combinação comum é usar flashcards para o vocabulário do setor, artigos e podcasts para o listening, e aula ao vivo apenas para fala e escrita revisada.
Como pedir para a empresa pagar o curso
Muitas empresas têm verba de desenvolvimento, programas de idiomas ou reembolso parcial de cursos, e muitos funcionários nunca pedem. Mesmo onde não existe uma política formal, um pedido bem fundamentado tem boa chance de ser aceito, desde que fale a língua do gestor: resultado para a área, não desejo pessoal.
O que o pedido precisa conter
- A necessidade concreta: quais tarefas do seu cargo envolvem inglês e o que está sendo prejudicado hoje.
- O ganho para a empresa: menos dependência de colegas para traduzir, participação mais ativa em reuniões globais, atendimento direto a clientes estrangeiros.
- A proposta: qual curso, formato, duração e valor. Leve duas opções, uma mais barata e uma mais completa.
- Como você vai medir o resultado: por exemplo, conduzir sozinho a reunião mensal com a filial até o fim do trimestre.
- Sua contrapartida: horário fora do expediente, compromisso de frequência mínima, compartilhar o que aprender com a equipe.
Modelo de e-mail (para gestores que falam inglês)
Se o seu gestor é estrangeiro ou a empresa se comunica em inglês, o próprio pedido já vira um exercício. Um modelo:
Subject: Business English training proposal
Assunto: Proposta de treinamento em inglês para negócios
Hi Laura,
Oi, Laura,
As our work with the Chicago team grows, I'd like to improve my English for meetings and supplier negotiations.
Com o aumento do nosso trabalho com o time de Chicago, eu gostaria de melhorar meu inglês para reuniões e negociações com fornecedores.
I've looked into two options: a small-group online course and one-to-one lessons focused on negotiation. Details and costs are attached.
Pesquisei duas opções: um curso online em grupo pequeno e aulas individuais com foco em negociação. Detalhes e custos estão em anexo.
My goal is to lead the monthly supplier call on my own by the end of Q2. I'm happy to take the lessons outside working hours.
Minha meta é conduzir sozinho a ligação mensal com fornecedores até o fim do segundo trimestre. Posso fazer as aulas fora do horário de trabalho.
Would you be open to discussing this in our next one-on-one?
Você estaria aberta a conversarmos sobre isso na nossa próxima reunião individual?
Repare em três coisas: o e-mail começa pela necessidade da empresa, apresenta opções em vez de uma exigência e termina com uma meta mensurável. É esse tripé que convence.
Se a resposta for não
Pergunte se existe outra forma de apoio: flexibilidade de horário, reembolso parcial, acesso a uma plataforma que a empresa já paga, ou a possibilidade de rever o pedido no próximo ciclo de orçamento. E registre o pedido. Ter demonstrado iniciativa costuma contar a favor em avaliações de desempenho, mesmo quando o dinheiro não sai.
Prioridades por área de atuação
Inglês de negócios não é um bloco único. Um analista financeiro e um gerente de vendas usam o idioma de formas muito diferentes, e um curso bem desenhado reflete isso. A tabela abaixo serve como ponto de partida para você ajustar a sua análise de necessidades.
| Área | Situações prioritárias | Frase típica |
|---|---|---|
| Vendas e atendimento | Ligações com clientes, apresentação de produto, objeções, follow-up | I completely understand your concern about the price. Entendo perfeitamente sua preocupação com o preço. |
| Finanças e controladoria | Apresentar resultados, explicar variações, conversar com auditoria | The variance is mainly due to higher freight costs. A variação se deve principalmente ao aumento do custo de frete. |
| Tecnologia | Dailies, revisão de código, documentação, entrevistas técnicas | I'm blocked on this ticket until the API is updated. Estou travado neste ticket até a API ser atualizada. |
| Compras e supply chain | Negociação com fornecedores, prazos de entrega, reclamações | We need to bring the lead time down to three weeks. Precisamos reduzir o prazo de entrega para três semanas. |
| Recursos humanos | Entrevistas, políticas internas, conversas delicadas | I'd like to walk you through the next steps of the process. Gostaria de explicar as próximas etapas do processo. |
| Marketing | Briefings, campanhas, relatórios de desempenho, agências | The campaign outperformed our click-through targets. A campanha superou nossas metas de taxa de cliques. |
| Liderança e gestão | Conduzir reuniões, dar feedback, comunicar decisões difíceis | I want to be transparent about why we made this call. Quero ser transparente sobre o motivo dessa decisão. |
Para a área de tecnologia, existe um guia inteiro de vocabulário de inglês para tecnologia que pode servir de base para as aulas. Para quem trabalha com recrutamento ou está do outro lado da mesa, o artigo sobre entrevista de emprego em inglês cobre as perguntas mais frequentes.
Como usar a tabela
Marque as situações da sua área que aparecem na sua rotina e acrescente as que faltarem. Depois, peça ao professor que as primeiras aulas reproduzam exatamente essas situações. Um curso que passa três semanas em "apresentações pessoais" para um profissional de compras que negocia com fornecedores todos os dias está desperdiçando o seu tempo.
Como é uma boa aula de inglês para negócios
Saber como deveria ser uma aula ajuda você a cobrar o curso que contratar. Abaixo, a estrutura de uma aula particular de 60 minutos para uma gerente de projetos que tem uma reunião de status com a matriz na sexta-feira.
| Tempo | Etapa | O que acontece |
|---|---|---|
| 0-5 min | Aquecimento | Conversa livre sobre a semana de trabalho. O professor anota erros sem interromper. |
| 5-15 min | Diagnóstico da tarefa | A aluna explica, em inglês, a pauta da reunião de sexta e quais pontos são delicados (um atraso de duas semanas no cronograma). |
| 15-30 min | Linguagem-alvo | Frases para comunicar atraso sem soar defensiva, propor um plano de recuperação e pedir apoio. |
| 30-50 min | Simulação | O professor faz o papel do diretor e faz perguntas difíceis. A simulação é gravada. |
| 50-60 min | Feedback e tarefa | Revisão dos erros anotados, três frases para memorizar e tarefa: escrever o e-mail de resumo pós-reunião. |
A linguagem que essa aula trabalharia
We're currently running about two weeks behind schedule.
No momento, estamos cerca de duas semanas atrasados no cronograma.
The main reason is a delay on the vendor side, which we've now resolved.
O principal motivo foi um atraso do fornecedor, que já resolvemos.
To get back on track, we're proposing to run testing in parallel.
Para voltar ao cronograma, estamos propondo fazer os testes em paralelo.
What we'd need from you is a quick sign-off on the revised timeline.
O que precisaríamos de vocês é uma aprovação rápida do cronograma revisado.
Repare que a aula inteira gira em torno de uma tarefa real, com data marcada. A gramática aparece (presente contínuo, present perfect, condicional com would), mas a serviço da reunião, não como tema da aula. Se você quiser revisar esses tempos verbais à parte, o guia sobre como usar o present perfect cobre o que mais aparece em reuniões de status.
Compare com uma aula fraca: o professor abre o livro na unidade 7, "Meetings", lê um diálogo entre dois personagens fictícios, pede para a turma completar lacunas e passa exercícios de vocabulário. Não é inútil, mas está longe de preparar alguém para a sexta-feira.
Exercício 1: do informal ao profissional
Um dos treinos mais úteis em qualquer curso de inglês para negócios é reescrever frases diretas demais em versões profissionais. Tente reescrever cada frase abaixo antes de abrir o gabarito. Não existe uma única resposta certa: o objetivo é suavizar o tom sem perder a mensagem.
- Send me the report now.
- You didn't answer my email.
- That's a bad idea.
- I can't do this by Monday.
- Your price is too high.
- What do you want?
Ver respostas
- Could you send me the report when you get a chance? I'd need it by 3 p.m.
Você poderia me mandar o relatório quando puder? Eu precisaria dele até as 15h. - Just following up on my email from Tuesday. Did you have a chance to look at it?
Só retomando meu e-mail de terça. Você teve a oportunidade de dar uma olhada? - I'm not sure that would work in our case. Could we look at some alternatives?
Não tenho certeza de que isso funcionaria no nosso caso. Podemos ver algumas alternativas? - Monday might be a bit tight for me. Would Wednesday work?
Segunda pode ser um pouco apertado para mim. Quarta funcionaria? - The price is a little above what we had budgeted. Is there any flexibility there?
O preço está um pouco acima do que tínhamos orçado. Existe alguma flexibilidade? - How can I help? / What would you like us to focus on?
Como posso ajudar? / Em que você gostaria que focássemos?
As técnicas por trás das respostas
- Pergunta no lugar de ordem: Could you...? em vez do imperativo.
- Modal de possibilidade: might, would, could deixam a frase menos absoluta.
- Minimizadores: a bit, a little, just reduzem o peso da crítica.
- Alternativa junto com a negativa: recusar e já propor outra coisa mantém a conversa andando.
Faça o exercício de novo daqui a duas semanas, sem olhar o gabarito. Se as versões suaves saírem com naturalidade, a técnica entrou.
Plano de 12 semanas
Doze semanas é tempo suficiente para sentir diferença real em situações específicas de trabalho, desde que você esteja no B1 ou acima e consiga dedicar de 3 a 5 horas por semana. O plano abaixo funciona como roteiro para conversar com o professor ou, se você estiver estudando sozinho, como estrutura de autoestudo.
| Semanas | Foco | Entrega ao fim do bloco |
|---|---|---|
| 1-2 | Diagnóstico, apresentação profissional, vocabulário do seu cargo | Pitch de 60 segundos sobre você e sua área, gravado |
| 3-4 | E-mails: pedidos, follow-ups, recusas, confirmações | Cinco e-mails reais revisados e um banco pessoal de frases |
| 5-6 | Reuniões: opinar, discordar, interromper, resumir | Simulação de reunião de 20 minutos, gravada e comentada |
| 7-8 | Números, gráficos e apresentação de resultados | Apresentação de 5 minutos com três slides de dados |
| 9-10 | Negociação e situações delicadas | Simulação de negociação com um "fornecedor" ou "cliente" difícil |
| 11-12 | Revisão, lacunas e preparação para o próximo ciclo | Nova gravação do pitch da semana 1 e comparação |
Distribuição semanal sugerida (4 horas)
- 2 horas de aula ou conversação ao vivo, divididas em duas sessões.
- 45 minutos de vocabulário, em blocos de 10 a 15 minutos ao longo da semana, com revisão espaçada.
- 45 minutos de listening: podcasts de negócios, apresentações de empresas, vídeos do seu setor.
- 30 minutos de escrita: um e-mail ou resumo por semana, revisado pelo professor ou por um analisador de texto.
O que fazer se a semana for ruim
Toda semana de trabalho tem chance de sair do controle. A regra é proteger o mínimo: uma sessão de conversa e os 10 minutos diários de vocabulário. O resto pode cair sem prejuízo grande. O que mata o plano não é a semana fraca, é a sequência de três semanas zeradas que faz a pessoa desistir.
Se você quiser uma estrutura de rotina mais detalhada para encaixar o estudo no dia a dia, o guia de métodos para aprender inglês mais rápido traz técnicas de revisão que combinam bem com este plano.
Depois das 12 semanas
Volte à análise de necessidades. Algumas prioridades vão ter caído (o e-mail já não é problema), outras vão ter subido (agora você foi chamado para apresentar para a diretoria). Monte o próximo ciclo a partir daí. Subir um nível inteiro do CEFR costuma exigir bem mais do que um ciclo, então pense em ciclos de 12 semanas encadeados, cada um com metas próprias.
Certificados de inglês para negócios
Certificado não é obrigatório para usar inglês no trabalho, e a maioria das empresas avalia o idioma em entrevista, não por documento. Mas há situações em que ele faz diferença: processos seletivos com nota de corte, programas de trainee, transferências internacionais e alguns concursos e licitações. Conheça as opções mais relevantes para o contexto corporativo.
| Exame | O que avalia | Quando faz sentido |
|---|---|---|
| Cambridge Business Certificates (B1 Business Preliminary, B2 Business Vantage, C1 Business Higher) | As quatro habilidades em contexto de negócios, num nível específico | Quem quer um certificado reconhecido internacionalmente e sem prazo de validade |
| TOEIC Listening and Reading / Speaking and Writing | Inglês no ambiente de trabalho, com pontuação numa escala | Empresas e vagas que pedem pontuação mínima; muito usado por multinacionais |
| Linguaskill Business | Prova online e adaptativa da Cambridge, com resultado rápido | Empresas que precisam avaliar muitos funcionários; substituiu o antigo BULATS |
| LCCI English for Business (Pearson) | Comunicação escrita e leitura em contexto empresarial | Quem tem foco em correspondência e documentos |
Os antigos BEC (Business English Certificates) da Cambridge passaram a se chamar B1 Business Preliminary, B2 Business Vantage e C1 Business Higher. Se você encontrar "BEC" em descrições de vaga, é a mesma família de exames.
Sobre o TOEIC especificamente, que é o mais pedido por empresas no Brasil, há um guia dedicado ao TOEIC para empresas, com a estrutura da prova e as faixas de pontuação.
Curso com certificado próprio vale alguma coisa?
Muitos cursos emitem certificado de conclusão. Ele comprova que você frequentou o curso, o que pode ajudar em horas de desenvolvimento no RH ou como item no currículo, mas não tem o peso de um exame internacional. Não escolha um curso pelo certificado de conclusão. Se precisar comprovar nível, planeje um exame à parte no fim do ciclo.
Preparar para a prova ou para o trabalho?
As duas coisas se sobrepõem, mas não são iguais. Um curso de inglês para negócios bom melhora sua nota em qualquer exame, porque melhora seu inglês. Já um curso focado em prova treina formato, tempo e estratégia, coisas que não ajudam muito numa reunião. Se você precisa das duas coisas, faça o curso de negócios primeiro e reserve de quatro a seis semanas finais para treino específico da prova.
Como medir se o curso está funcionando
"Sinto que estou melhorando" não é medida. Depois de algumas semanas, todo aluno sente isso, porque fica mais à vontade com o professor. O teste real é o desempenho fora da aula. Use indicadores concretos, revisados a cada quatro semanas.
| Indicador | Como medir | O que indica progresso |
|---|---|---|
| Tempo para escrever um e-mail padrão | Cronometre um e-mail de rotina por mês | Queda consistente, sem perder clareza |
| Participação em reuniões | Conte quantas vezes você falou sem ser chamado | Aumento de intervenções espontâneas |
| Pedidos de repetição | Anote quantas vezes pediu para alguém repetir | Menos pedidos, mesmo com sotaques variados |
| Gravação comparada | Grave o mesmo pitch no início e a cada mês | Menos pausas, frases mais longas, vocabulário mais preciso |
| Dependência de ferramentas | Observe quanto você usa tradutor para escrever | Tradutor só para checar, não para compor |
A gravação é o indicador mais honesto
De todos os indicadores, a gravação comparada é a que menos engana. Grave dois minutos explicando um projeto atual. Guarde o arquivo. Repita o exercício a cada quatro semanas com um projeto diferente e ouça as gravações em sequência. As mudanças que você não percebe no dia a dia ficam evidentes: menos "éééé", conectores melhores, ritmo mais natural. Se depois de oito semanas não houver diferença audível, é hora de conversar com o professor ou rever o formato.
Quando trocar de curso
Considere a troca se, após dois ciclos de quatro semanas, acontecer pelo menos uma destas situações: as aulas continuam seguindo um livro sem relação com o seu trabalho; você fala menos da metade do tempo numa aula particular; não houve nenhuma simulação gravada; ou os indicadores acima não se mexeram. Trocar no momento certo é melhor do que pagar mais seis meses por inércia.
Exercício 2: qual formato para qual perfil
Agora é hora de aplicar o que você viu sobre formatos, níveis e prioridades. Leia cada perfil e escolha a opção mais adequada entre: aula particular online, grupo pequeno online, in company, intensivo/imersão, autoestudo com conversação por IA, ou "ainda não é hora do curso de negócios".
- Renata, 34 anos, analista financeira, B2. Vai apresentar os resultados do trimestre para a matriz em Londres daqui a cinco semanas. Tem orçamento próprio e agenda apertada.
- Diego, 27 anos, desenvolvedor, leitura B2 e fala A2. Trabalha remoto para uma startup americana e participa de dailies todos os dias. Orçamento curto.
- Equipe de oito compradores de uma indústria, níveis entre B1 e B2, todos negociando com fornecedores asiáticos. A empresa quer investir.
- Marcos, 45 anos, diretor comercial, C1. Vai ser transferido para os Estados Unidos em dois meses e quer ganhar naturalidade rápido.
- Juliana, 30 anos, assistente administrativa, A1. Ouviu que inglês de negócios ajuda na promoção e quer começar agora.
Ver respostas
- Aula particular online. Prazo curto, tarefa de alto risco e nível suficiente: precisa de simulações focadas na apresentação, com agenda flexível.
- Autoestudo com conversação por IA, e depois grupo pequeno. O gargalo dele é tempo de fala, que a IA oferece barato; a leitura já está boa.
- In company, separando a equipe em duas turmas por nível e usando e-mails e casos reais de negociação com fornecedores.
- Intensivo ou imersão, seguido de aulas particulares de manutenção já nos Estados Unidos, com foco em cultura corporativa e expressões naturais.
- Ainda não é hora do curso de negócios. O melhor investimento é um curso de inglês geral até o B1, com vocabulário de escritório incluído desde o início.
Se você errou o caso da Juliana, não está sozinho. É o erro mais comum do mercado: vender um produto avançado para quem ainda precisa da base. Para começar do zero com uma estrutura clara, o guia de como aprender inglês do zero é o ponto de partida.
Erros comuns de quem faz curso de inglês para negócios
Alguns erros se repetem tanto entre alunos brasileiros que vale nomear cada um. A maioria não tem a ver com gramática, e sim com a forma de conduzir o próprio aprendizado.
1. Tratar a aula como o único momento de estudo
Duas horas por semana de aula sem nada entre elas produzem um progresso lento demais para quem tem prazo. A aula é onde você testa e corrige; o vocabulário e o listening precisam acontecer fora dela.
2. Não levar material real
O aluno tem uma apresentação importante na semana seguinte e não conta ao professor. A aula segue o planejamento genérico, e a oportunidade de ensaiar com feedback se perde. Leve tudo o que puder, sempre removendo informação confidencial.
3. Decorar listas de vocabulário sem contexto
Saber que leverage significa "alavancar" não ajuda se você não sabe montar uma frase com a palavra. Aprenda em blocos: We can leverage our existing client base. (Podemos aproveitar nossa base de clientes atual.)
4. Copiar o jargão corporativo exagerado
Expressões como synergize, circle back e move the needle existem, mas usadas em excesso soam artificiais até para nativos. Clareza vale mais que jargão. Prefira Let's talk about this again next week. (Vamos voltar a falar disso semana que vem.) a encher a frase de buzzwords.
5. Traduzir a estrutura do português
Frases como "I stay waiting your answer" (fico no aguardo) ou "We will make a meeting" (vamos fazer uma reunião) entregam o raciocínio em português. As formas naturais são I look forward to hearing from you e We'll have a meeting ou We'll set up a meeting. Os false friends causam erros parecidos, como usar pretend querendo dizer "pretender".
6. Fugir das situações difíceis
É confortável passar as aulas conversando sobre temas leves. Mas o que você precisa treinar é justamente a ligação tensa com o cliente insatisfeito, a negociação de preço e a resposta à pergunta difícil da diretoria. Peça simulações desconfortáveis.
7. Medir progresso pela nota da prova interna
Provas de escola costumam medir o conteúdo da apostila. Use os indicadores da seção anterior, que medem o que acontece no trabalho.
8. Parar quando a urgência passa
A reunião importante aconteceu, foi bem, e o aluno cancela o curso. Três meses depois, a fluência caiu. Mantenha pelo menos um ritmo de manutenção, mesmo que reduzido.
Perguntas frequentes sobre curso de inglês para negócios
Qual a diferença entre inglês para negócios e inglês corporativo?
Na prática, os dois nomes são usados para a mesma coisa: inglês voltado ao ambiente de trabalho. Algumas escolas reservam "inglês corporativo" para cursos in company, contratados pela empresa, e "inglês para negócios" para cursos que o profissional faz por conta própria. O conteúdo esperado é o mesmo.
Dá para fazer curso de inglês para negócios sendo iniciante?
Dá para se matricular, mas o aproveitamento costuma ser baixo. Abaixo do B1, faltam estruturas básicas para treinar reuniões e negociações. O mais eficiente é fazer o inglês geral até o intermediário e, se houver urgência, montar em paralelo um kit de frases de sobrevivência para o trabalho.
Quanto tempo leva um curso de inglês para negócios?
Não existe duração padrão. Ganhos perceptíveis em situações específicas, como e-mails e reuniões, costumam aparecer em 10 a 12 semanas com 3 a 5 horas semanais. Subir um nível inteiro do CEFR exige mais tempo, em geral de 150 a 200 horas de estudo, somando aula e prática.
Curso de inglês para negócios online funciona?
Funciona e, para muita gente, funciona melhor que o presencial, porque boa parte das reuniões em inglês já acontece por videochamada. O que define o resultado é o tempo de fala, a personalização e a correção, não o meio. Uma aula online particular bem conduzida rende mais que uma turma presencial grande.
A empresa pode pagar meu curso de inglês?
Muitas empresas têm verba de treinamento ou programas de reembolso, e várias aceitam pedidos mesmo sem política formal. O pedido tem mais chance quando mostra a necessidade do cargo, apresenta opções de curso com valores e propõe uma meta mensurável. Pergunte ao RH ou ao seu gestor antes de assumir que não existe apoio.
Qual certificado de inglês para negócios é mais aceito?
No Brasil, o TOEIC é o mais pedido por multinacionais, e os certificados de negócios da Cambridge (B1 Business Preliminary, B2 Business Vantage e C1 Business Higher) são bem reconhecidos internacionalmente. A escolha depende do que a vaga ou a empresa pede. Sem essa exigência, o certificado é opcional.
Professor nativo é melhor para inglês de negócios?
Não necessariamente. Para alunos de nível intermediário, um professor brasileiro com inglês avançado e experiência corporativa costuma explicar melhor os erros típicos. Para quem já é avançado e busca naturalidade, um professor nativo ajuda no polimento. A experiência com o mundo corporativo pesa mais que a nacionalidade.
Inglês para negócios é só vocabulário técnico?
Não. Vocabulário é uma parte, mas o centro do curso são habilidades: conduzir uma reunião, discordar com diplomacia, apresentar dados, negociar e escrever com o tom certo. Muita gente com vocabulário técnico excelente trava justamente nessas situações.
Posso aprender inglês para negócios sozinho?
Boa parte, sim: vocabulário, leitura, listening e escrita avançam bem com estudo autônomo e ferramentas de correção. O ponto fraco do autoestudo é a fala sob pressão, que precisa de interlocutor e feedback. Uma combinação de autoestudo com conversação regular, com professor ou com IA, cobre bem as duas frentes.
Como saber se o curso é bom antes de pagar?
Faça a aula experimental com o professor que vai atender você e leve uma tarefa real, como um e-mail que precisa escrever. Pergunte se existe análise de necessidades, quanto tempo você vai falar por aula e como o progresso é medido. Evite contratos longos antes de testar o método por algumas semanas.
Conclusão
Um curso de inglês para negócios vale o investimento quando é construído em torno das suas tarefas reais. A escolha começa antes da escola: saber seu nível, listar as situações em que usa inglês e definir o que precisa estar diferente daqui a 12 semanas. Com isso em mãos, fica fácil separar o curso que vai preparar você para a próxima reunião do curso que só troca o nome do inglês geral.
Resumo dos pontos principais
- Inglês de negócios usa a mesma gramática do inglês geral, mas treina tarefas de trabalho e diplomacia linguística.
- O curso rende a partir do B1. Abaixo disso, a base geral vem primeiro.
- Faça sua própria análise de necessidades e priorize as situações frequentes e de alto risco.
- Compare cursos pelo custo por hora de fala, não pela mensalidade.
- Exija aula experimental com o professor definitivo e leve uma tarefa real.
- Peça apoio da empresa com necessidade, opções e meta mensurável.
- Meça progresso com indicadores de trabalho, principalmente gravações comparadas.
- Certificado só é prioridade quando uma vaga ou empresa exige.
Próximos passos para continuar aprendendo
- Descubra onde você está com o teste de inglês e preencha o roteiro de análise de necessidades deste guia.
- Treine as frases das reuniões no guia de conversação em inglês para negócios, que aprofunda reuniões, negociações e e-mails.
- Monte seu banco de frases do dia a dia com as frases em inglês para o trabalho.
- Reforce o vocabulário com a lista de vocabulário de inglês para o trabalho e revise com flashcards.
Se você quer um caminho estruturado do básico ao avançado, conheça o curso de inglês do CursoInglês, que combina aulas, exercícios e prática de conversação com IA.